terça-feira, 11 de dezembro de 2012

CHIMANGOS E MARAGATOS - ORIGENS



As rivalidades que embasaram a Guerra Gaúcha de 1893 a 1895, não ocorreram de um dia pro outro. Elas foram gestadas cuidadosamente no ventre das radicalidades ao longo de décadas.

Essas rivalidades foram aquecidas ao longo de guerras renhidas como a Guerra de Independência da Cisplatina (Uruguai) em 1828, as intervenções nas Províncias Unidas do Prata (Argentina e Uruguai) e na Guerra do Paraguai (1870-1875).

Também, durante a Revolução Farroupilha (1835-1845) as divisões se cristalizaram dando origem a um ódio crescente entre grupos permanentemente rivais.

Para os Farroupilhas (liberais federalistas), os Caramurus (imperiais) eram egoístas e traidores. Para os Caramurus os Farroupilhas eram arrogantes e aliados de estrangeiros.

O fim da Revolução Farroupilha, ao contrário de unir os gaúchos, reaqueceu uma divisão que jamais seria sanada pacificamente. As diferenças entre caudilhos só se fez crescer e jamais foi objeto de qualquer tratado de pacificação.

Não houve o surgimento de qualquer terceira via e os extremos continuaram se afastando.

Dessa forma, o Rio Grande passou a acalentar o seu pior pesadelo.

Quando ocorreu a proclamação da República em 15 de novembro de 1889 o estado que vivia um clima de ódio disfarçado explodiu em disputas renhidas e declaradas.

Desavenças de opiniões misturadas a desavenças pessoais.

Por três anos o poder foi disputado palmo a palmo e ao final desse período, graças ao apoio que vinha da identidade política com os governos militares no poder no Rio de janeiro desde a proclamação da República (Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto), o grupo do jornalista Júlio de Castilhos fundador do PRR (Partido Republicano Riograndense), positivista dos quatro costados, se consolidou no poder.

O outro grupo, liderado por Gaspar Silveira Martins, havia fundado o Partido Federalista. Muitas de suas lideranças estavam exiladas no Uruguai sob acusação de serem anti-republicanos e simpatizantes da monarquia. Para o grupo de Gaspar Martins, Júlio de Castilhos era um ditador que deveria ser impedido de se perpetuar no poder.
Restava o caminho das armas, e os Federalistas logo não hesitariam em optar por essa solução.

Os demônios do ódio, da Guerra e da morte, esfregaram as mãos, pois o verde dos pampas em breve se tingiria de sangue.

A Guerra civil denominada de “Revolução Federalista” começou em fevereiro de 1893 e só acabaria em agosto de 1895.

Em pouco tempo esse terrível enfrentamento também chamado de “A Revolta da Degola” iria criar marcas profundas na história do Rio Grande do Sul e de sua gente.
Marcas tão profundas que dariam origens à fortes características políticas desse estado, observáveis ainda hoje.

Prof. Péricles

Nenhum comentário: