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domingo, 26 de fevereiro de 2017

TRUMP AJUDA THERESA, QUE AJUDA LE PEN



Faltando dois meses para o primeiro turno da eleição presidencial francesa, uma pesquisa divulgada esta semana mostra o crescimento da candidatura de Marine Le Pen, que alcança 26% das intenções de voto, contra 19% do principal adversário, o ex-ministro da Economia Emannuel Macron.



A líder da extrema-direita, filha de Jean-Marie Le Pen, deve causar dores de cabeça aos políticos de centro e de centro-esquerda franceses e aos defensores da União Europeia (UE), além de solavancos nos mercados.



Muito antes da vitória de Donald Trump do lado de cá do Atlântico, o continente europeu vive uma onda conservadora: a saída do Reino Unido da UE, capitaneada pelo primeira-ministra britânica, Theresa May, mostrou que, ao menos em tese, há vida fora do sonho da integração.



Atentados em Paris, Nice, Bruxelas e Berlim conquistam, dia após dia, mais adeptos da ideia de reerguer as fronteiras nacionais, anulando o Espaço Schengen da livre-circulação.



Partidos populistas têm crescido, como a Alternativa para a Alemanha (AfD), desbancando legendas de centro-esquerda, como o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).



Políticas isolacionistas e, em alguns casos, xenófobas, nos EUA reforçam discursos de Thereza no Reino Unido e de Le Pen na França.



O último dos rompantes da líder da extrema-direita francesa foi ter desistido de encontrar o xeque Abdul Latif Derian, autoridade sunita do Líbano, na porta do gabinete. Isso porque lhe ofereceram o véu islâmico para a reunião. Le Pen é uma das principais defensoras da proibição da vestimenta em espaços públicos – o véu já não é permitido em escolas de ensino médio e serviço público na França.



Na quarta-feira (22/02), o centrista François Bayrou, líder do Movimento Democrático, fechou apoio a Macron, como alternativa a Le Pen.



Não será suficiente. Ela deve vencer em 23 de abril, mas não levará no segundo turno, em 7 de maio, quando os perdedores do primeiro turno se juntarão contra o inimigo comum. Essa costuma ser a lógica histórica da política francesa.



O problema é que, como o Brexit e Trump já mostraram, nem sempre a política tem seguido a lógica.




Por Rodrigo Lopes, colunista do Jornal Zero Hora de Porto Alegre



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

MULHER BONITA


O homem se tornou dominante nas sociedades primitivas, não exatamente por ser o mais forte, mas por usar a força para se apropriar dos meios de produção.

Sendo ele mais capacitado fisicamente para a caça e depois, para as atividades da colheita, acabou por se tornar proprietário, relegando a mulher, progressivamente, a um papel secundário.

Com a evolução das sociedades, a importância da relação afetiva foi crescendo, e à mulher foi colocada na condição de atração entre os sexos, assim, enquanto o homem predominava na economia, a mulher deveria atrai-lo afetivamente, sendo atraente para merecer compartilhar de sua propriedade.

De certa forma, a mulher tornou-se uma propriedade.

Mas, o que é ser bela?

A beleza é formada por padrões subjetivos e variáveis, tanto no tempo, quanto no espaço, por isso, uma mulher pode ser considerada bonita num lugar e não bonita no outro, ou, antigamente mais ou menos bonita que hoje.

E o que move, classifica, define, esses padrões de beleza?

A economia.

Na antiguidade clássica, mulher bonita deveria ter a pele e os olhos mais escuros, sendo as “bárbaras” de olhos claros e loiras padrão de feiura, ao menos para os latinos, e isso porque o seu padrão de beleza era inato ao povo vencedor (eles mesmos) enquanto os germânicos (bárbaros) eram identificados como subespécie derrotada.

O que atraia os gregos era a mulher baixinha e a capacidade de ouvir, enquanto seu entendimento de amor era totalmente ligado ao aspecto tempo, por isso os gregos não casavam. Viviam juntos enquanto sentissem paixão. Quem inventou o casamento foram os latinos.

Para os espartanos a mulher era bonita quando demonstrava força e capacidade de conter suas lágrimas diante da perda de um filho mesmo em idade prematura, já que aos seis anos a criança esparciata já era propriedade do estado. A força de Esparta estava no peito de seus soldados e na força de suas mulheres, como eles mesmos definiam.

Na Idade Média mulher bonita era a gordinha, pois era sinal de que se alimentavam bem e naquele período de fome e miséria, se alimentar bem fazia qualquer mulher ser linda.

Por isso, no período medieval, mulher magra era horrorosa.

Com o advento da Revolução Industrial e a sociedade por ela criada, a gordinha deixou de ser considerada bonita passando a ser admirada a mulher magra, já que essa era muito mais apta ao trabalho nas máquinas. Surgiu o estilo que perdura até hoje.

Sendo os conceitos de beleza movidos e alterados pela economia, é desesperador ver tantas moças sofrendo por se acharem gordas e fora dos padrões. 

Diante do aumento sistemático de pessoas deprimidas e do número anual de suicídios é de se perguntar, afinal, o que torna realmente a mulher bonita. 

Certamente não é esse modelo vendido pela indústria de cosméticos, ampliado pelo marketing que tudo remunera e embalado, por exemplo, pela mídia e indústria cinematográfica. 

Ser enquadrado a esse modelo criado.  Será esse um ideal de felicidade legítimo?

Acreditamos que não.

Mulher bonita, bonita mesmo, daquela beleza que não é temporal ou geográfica é a mulher de luta. A mulher que se expressa e defende seus direitos de expressão e razão.

Mulher bonita é a mulher cujos valores estão acima dos padrões de uma indústria perversa que cria mitos e mentiras em profusão para dominar as mentes e vender tudo aquilo que possa gerar lucro.

É aquela que é capaz de sofrer o sofrimento alheio e combater o combate dos mais frágeis e as perversidades de uma sociedade que teima enquadra-la como objeto, como se ainda vivêssemos na pré-história moral.

Mulheres lindas como Tereza, aquela de Calcutá, ou Rosa que era de Luxemburgo, Olga que não temia os nazistas e todas as outras, de todos os lugares, que não entraram para os livros de história, mas que fazem a história, todo dia, com seu talento, trabalho e dedicação.

Mulher bonita é aquela que não tem medo de mostrar que ama, que quer amor e que exija boa parceria. Que demonstra coragem diante do fascismo e da violência.

Não, as mulheres não vieram enfeitar o mundo, isso é a visão machista que reduz a história feminina a um papel periférico.

Mulher é protagonista e revolucionária pela própria natureza pois nenhum outro segmento humano foi tão explorado ao longo da história.

Cosméticos são ilusões pois não transformam a natureza física de alguém e servem apenas para enriquecer as “indústrias da beleza”. O verdadeiro e real cosmético é a prática do bem e a participação na luta por um mundo melhor.

Mulher bonita são todas as mulheres, conforme seu engajamento perante a vida.




Prof. Péricles

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ERA UMA VEZ


Por Robson Sávio Reis Souza


Num país de faz-de-conta um bando tomou de assalto o poder. Retiraram do governo uma mulher honesta e entronaram no seu lugar um bode-velho (casado com uma donzela arranjada), cercado por uma camarilha de ladrões. Inquisidores midiáticos e nos tribunais abençoaram o golpe, regado por dinheiro de empresas de patos amarelos. O tio dos bandoleiros, conhecido como "tio-sam", ajudou (e muito) nas estratégias da empreitada...

A corja, com farta representação nos três poderes, tem milhares de bobos da corte: alguns, que se autointitulam do "movimento do país livre", gostam de bater panelas para defender seus heróis-bandidos; outros promovem passeatas contra os direitos sociais; detestam a ideia de justiça e igualdade e pregam o ódio em relação ao outro, porque se acham superiores, acima do bem e do mal, cidadãos de ben$.

Não percebem que cavam para si um precipício; acham que o buraco é para os outros.

Usando da velha política do "panis et circenses", os golpistas entopem a mídia com dinheiro público para entreter o povo. Até cientistas da academia dos escolarizados dizem em programas globais que as instituições funcionam plenamente.

O bando imprime uma política recessiva: de propósito, provocam o desemprego em massa para atender ao clamor das empresas do século 19 com o objetivo de derrubar a massa salarial e criar as condições objetivas para estuprarem a constituição que garante direitos. Dizem que precisam fazer "reformas".

De fato querem derrubar a casa para construir uma choupana. Afinal, entendem que são os donos do pedaço e que pobre existe para mendicar ou viver de favores. Isso agrada o espírito cristão dos golpistas.

Aliás, com o apoio da teologia da prosperidade, que prega um deus que abençoa os endinheirados, os golpistas também têm as bênçãos de religiões-mercado. Por isso, não parece um escândalo o fato de líderes religiosos fazerem selfies com o bode-velho.

O país de faz-de conta está em convulsão: as polícias, os presídios, o sistema de seguridade social estão à beira de um colapso. Mas o rei e seu ministro plagiador, que gosta de uma barco intitulado de "boate do amor", acham que resolvem tudo com o báculo militar.

No país de faz-de-conta não há limites morais e éticos: bandoleiros são altas autoridades e governantes; juízes são deuses; mídia é tribunal; sonegadores e corruptos de carteirinha são conselheiros do rei. Tudo funciona normalmente...

Agora, quando de aproxima a "festa da carne" só sobrará ao povo o recurso da velha ironia para zombar da corja. Afinal, no país de faz-de-conta a educação, cumprindo sua missão docilizadora de mentes e corações, sempre ensinou o povo a se limitar à ironia momesca e nunca questionar sua condição de vida com vistas a transformar a realidade...


Robson Sávio Reis Souza, doutor em Ciências Sociais e professor da PUC Minas.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

TEVE GOLPE, CADÊ A LUTA?


Numa histórica reunião no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, no dia 2 de abril de 1964, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, o general chefe da III Exército, Ladário Pereira Telles, o Prefeito de Porto Alegre, Sereno Chaise e o Presidente da República João Goulart, ficou decidido, por imposição do presidente, que não haveria resistência armada contra o golpe militar que estava em andamento.



Brizola e o General Ladário defenderam a ideia da resistência, sendo que, naquele momento, só poderia ser ali, no Rio Grande do Sul que se poderia reverter o golpe deflagrado no dia 31 de março.


Jango, entretanto, foi inflexível, desautorizou qualquer resistência em seu nome e, às 11:45 daquele mesmo dia, partiu para o exílio, no Uruguai.


Sem o presidente que estava sendo deposto tornou-se impossível para Brizola e o General Ladário resistir.


Ainda hoje essa decisão provoca debates.


Deveria Jango ter lutado contra o golpe? Foi correta sua decisão de desistir sem luta?


Os que defendem a posição do presidente afirmam que ele sabia, mais do que qualquer outro, as consequências de sua decisão. Que ele tinha enorme receio de quanto sangue correria numa luta de brasileiros contra brasileiros.


Os Estados Unidos haviam enviado navios com marines prontos para “ajudar” os golpistas em caso de resistência na chamada Operação Brother San, que isso deveria ser do conhecimento de Jango, que temia, a presença militar estrangeira no país e suas implicações futuras.


E, finalmente, poderia se argumentar ainda que, o comando de Ladário não era aceito pela totalidade do III Exército, havendo discordâncias em Santa Maria, Alegrete e todo o Estado do Paraná.


Já os que acreditam que Brizola e Ladário estavam corretos, afirmam que, a falta de luta não trouxe reconhecimento algum por parte dos golpistas e até tornou a repressão futura contra os adversários da Ditadura mais sangrenta, pelo desprezo dos “vencedores” diante da apatia dos “derrotados”.


Membros do exército já afirmaram que os militares respeitariam muito mais uma resistência armada e heroica do que uma desistência sem luta.


Refletindo essa discussão nos tempos atuais, deve causar espanto para os elementos da esquerda militante, a apatia e falta de luta por parte do governo do PT deposto com Dilma em agosto passado.


O discurso politicamente correto de defesa da democracia e da ordem não se encaixa diante das inúmeras demonstrações de desrespeito praticado pelos que defendem o uso de qualquer arma para derrubar a presidenta.


O ministro da Justiça do governo Dilma variou entre a passividade e a mediocridade diante dos desmandos de uma Polícia Federal que deveria estar subordinada a ele.


Hoje, o presidente ilegítimo convida um advogado de Aécio Neves para o cargo de Ministro.


No governo Lula-Dilma as indicações para ministro do STF, uma obrigação constitucional da presidência, eram movidas por critérios técnicos, colocando no maior Tribunal do país verdadeiros agentes inimigos, em nome da ética.


Hoje, o governo Temer indica, segundo alguns, um ex-advogado do PCC e seu próprio ministro da Justiça para ocupar a função, sem nenhuma vergonha e nenhuma preocupação com a ética ou critérios técnicos.


Para o discurso democrático pregado por Lula-Dilma, a democracia foi atacada e a ordem constitucional agredida, mas, cadê a resistência?


Onde estão as forças populares capazes de fazer ver aos golpistas, que a verdadeira maioria não aceitará passivamente uma infâmia como a cometida?


Alegam alguns que o pessoal da esquerda teme confrontos de rua e suas consequências inesperadas. Entretanto, os agentes do golpe convocam multidões com a maior facilidade e falta de escrúpulos.


Observa-se uma intensa revolta, entre boa parte da população, divulgada através das redes sociais. Mas trazer essa revolta para as ruas é tarefa das lideranças políticas, sindicais, comunitárias. Onde estão essas lideranças?


Talvez a mais importante lição deixada pelos momentos decisivos do golpe de 64 seja exatamente essa: sem luta a democracia é espezinhada e a minoria passa a se considerar maioria, invertendo a verdade dos fatos.


Não existe remorso por parte de nenhum setor que hoje agride a verdade sem a menor cerimônia.


Seria interessante não misturar respeito à ética com covardia, até porque, como vimos depois de 1964, a direita costuma considerar covardes, e não democratas, aqueles que não lutam.



Prof. Péricles

domingo, 19 de fevereiro de 2017

MUITOS AJUDARAM TRUMP A VENCER



Por Antonio Tozzi


A eleição presidencial americana teve interferência externa, segundo fontes da CIA – a principal agência de espionagem dos EUA. De acordo com as informações recolhidas pelo órgão do governo federal, hackers baseados na Rússia entraram no website do DNC (Comitê Nacional Democrata) e pegaram emails do partido para detonar a candidatura de Hillary Clinton denunciando esquemas internos, dedurando doadores, enfim, produzindo todo tipo de informações negativas para prejudicar a ex-secretária de Estado do governo Barack Obama.

A tática funcionou. Para surpresa da maioria dos especialistas e institutos de pesquisas, Donald Trump acabou prevalecendo no Colégio Eleitoral, apesar de Hillary Clinton ter recebido mais votos. Ou seja, fosse eleição direta, ela teria vencido a eleição.

A reação do presidente Barack Obama à interferência indevida dos russos foi a expulsão de alguns diplomatas e espiãos russos durante as festas de final de ano. O presidente russo Valdimir Putin demonstrou seu desagrado, porém preferiu não exercer o direito de reciprocidade e manteve o pessoal do corpo diplomático dos EUA na Rússia.

Putin, que vem se transformando em um dos homens fortes do planeta, prefere apostar no bom relacionamento entre ele e Trump. Os dois governantes não escondem a admiração mútua. Na verdade, mais do que admiração, há vários interesses em jogo. E isto pode ser bom ou ruim para o mundo, dependendo do ponto de vista.

Um exemplo claro é a nomeacão de Rex Tillerson, ex CEO da Exxon Mobil, para o importante cargo de secretário Estado. Todos sabem que a Exxon teve os bens congelados por causa da invasão da Crimeia por parte das tropas russas, em consequências de embargos. O atual governo americano manifestou estar alinhado à Ucrânia – região onde está localizada a Crimeia – e consequentemente gerou descontentamento de Putin e dos membros de seu gabinete.

A guerra na Síria também colocou EUA e Rússia em lados antagônicos. Enquanto o governo americano passou a fornecer armamentos para os rebeldes sírios que lutam pela deposição de Bashar Al Assad, o governo russo decidiu apoiar integralmente o ditador sírio e suas forças armadas entraram com tudo no conflito para dizimar os guerrilheiros rebeldes e, de quebra, destruíram completamente a cidade de Aleppo.

Para o mundo, ter Putin e Trump à frente das duas potências não é bom presságio. Putin é frio, calculista e não mede esforços para conseguir seus objetivos. E ele não esconde de ninguém que pretende fazer da Rússia novamente uma potência temida, após o desmantelamento da antiga União Soviética. Se necessário for, ele colocará tropas para reconquistar territórios que julga pertencerem à Rússia como Ucrânia, Letônia, Lituânia e outros vizinhos que hoje constituíram-se em países independentes. Além disto, aliar-se à Síria e ao Irã garante o acesso a países fornecedores de petróleo.

Trump, por sua vez, aliou-se à alt right (direita alternativa) que repudia todo esforço empreendido por Obama em busca de energias alternativas baseadas em fontes renováveis. Tanto que seu governo está recheado de simpatizantes de fontes poluidoras como petróleo e carvão mineral.

Além disso, Trump prefere manter com Putin um relacionamento de respeito mútuo, ou seja, não quer interferir nos planos expansionistas do governante russo e pretende concentrar seus esforços no plano doméstico. Entretanto, este tipo de atitude não funciona para os EUA, pois a condição de maior potência do mundo exige sua presença em locais onde as pessoas estão sendo dominadas e, claro, os interesses americanos estejam ameaçados.

Portanto, por enquanto, Putin e Trump estão afinados no discurso de que Obama, Clinton e os democratas estão apenas buscando um bode expiatório pela derrota. Todavia, não se pode esquecer os papéis criticáveis desempenhados por Edward Snowden, Glenn Greenwald e sobretudo Julian Assange neste tabuleiro.

Eles que são – ou eram – exaltados por representantes da esquerda norte-americana contribuíram decisivamente para a derrota de Hillary Clinton e para a vitória de Donald Trump, que reúne o que há de mais abjeto em termos de direita raivosa.

Só nos resta aguardar como será o mundo sob controle de uma pessoa que não parece cultivar a temperança.




Antonio Tozzi revisor, repórter e redator do extinto Jornal da Tarde. Free lancers para diversas publicações. Nos Estados Unidos, foi editor chefe de publicações como Florida Review e AcheiUSA,.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

LÁGRIMAS E SORRISOS DE DEMÉTER



Deméter, deusa da agricultura e da fertilidade que os latinos chamavam de Ceres, teve uma filha com o poderoso Zeus.

A filha de Deméter e Zeus chamava-se Perséfone, uma jovem linda como uma aurora ensolarada, tornou-se deusa das ervas e frutos.

Sua beleza provocou a paixão ardente de Hades, irmão de Zeus e senhor do mundo inferior e dos mortos.

Hades era um deus que sofria enorme complexo de rejeição, pois, ao contrário dos irmãos Zeus e Posseidon, que eram amados pelo povo, ele se sentia esquecido e muito mais temido do que venerado.

Loucamente apaixonado e achando que não suportaria um “não” da linda Perséfone, deixou a conquista de lado e partiu para o sequestro mesmo, levando a amada para o seu reino das sombras, onde seria, por toda eternidade, sua rainha.

Deméter e Perséfone, mãe e filha, eram extremamente ligadas e a deusa da agricultura, não podendo desafiar o poder de Hades, entrou em profunda depressão, motivada pelas saudades.

Triste, chorava incontrolavelmente. Lentamente, o mundo ficou frio e sombrio. Suas lágrimas provocam enchentes. Era o outono e o inverno aos olhos dos gregos.

Os homens passaram a fazer oferendas e a orar para Deméter e para o próprio Zeus, rogando por melhoras no tempo, por mais calor e chuvas regulares.

Preocupado, Zeus buscou ser diplomático, intermediando a inconformidade de Deméter e os interesses de seu irmão sequestrador, com quem não queria briga, de jeito nenhum.

Hades concedeu que sua amada esposa voltasse ao mundo exterior para ver a mãe, mas, apenas por um tempo determinado, ou seja, Perséfone passaria seis meses com a mãe e os outros seis meses com ele, o marido.

Feliz com a presença da filha amada, Deméter voltou a sorrir, o sol a brilhar mais intensamente, e a terra a dar flores e frutos. Era a primavera e o verão, segundo os gregos.

Assim, era a tristeza da separação e a alegria do reencontro da deusa com sua filha que explicava as estações do ano, para esse povo extraordinário.

Penso nisso quando vejo tantas pessoas reclamando que as estações do ano estão confusas, que os invernos estão mais curtos e amenos, o calor mais intenso, etc.

Fala-se em enchentes na América do Sul e Ásia, Tsunamis no Japão, nevascas recordes na América do Norte e desgelo do Ártico e Antártida.

Parece que o acordo entre os deuses foi rompido e Perséfone fugindo dos infernos convive mais com a mãe do que com o marido, fato que deve estar enfurecendo o poderoso senhor das sombras.

Não podemos confirmar se rolou esse barraco entre as divindades, mas que as coisas nos parecem, estranhamente diferentes, parecem.

Roguemos todos nós, pela paz entre todas as criaturas e que as colheitas não sejam as mais sacrificadas castigando justamente os despossuídos, nem as águas cada vez mais raras, nos tornando a vida um intenso inverno.

Ah... pelo menos de minha parte, obrigado poderosa Deméter por teu bom humor. O verão de 2017 está dos deuses!



Prof. Péricles