sábado, 24 de junho de 2017

O JANELÃO ESTILHAÇADO DA REDE GLOBO



Por Tatiana Carlotti


Em tempos de golpe, a fragilidade das nossas instituições democráticas se escancara. Na seara da comunicação, enquanto a Mídia Alternativa luta pela sobrevivência, garantindo o mínimo do contraditório ao discurso hegemônico; as Organizações Globo, promotoras deste discurso, inauguram a nova sede do seu jornalismo.


A discrepância de forças ficou evidente na última segunda-feira (16.06.2017). Durante cinco minutos, o Jornal Nacional vendeu o aparato jornalístico a seus telespectadores, detalhando a metragem do novo espaço, o dobro do anterior, e suas 18 novas ilhas de edição.

A cobertura da “cerimônia macabra”, assim qualificada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, incensou a parafernália tecnológica, destacando os imensos telões e as ilustrações em três dimensões do Jornal Nacional.


Segundo o script, “isso é possível porque o novo cenário é formado por duas camadas de imagens. Primeiro um vidro de 15 metros em curva, que varia do fosco para o transparente. E, ao fundo, um telão gigante, o de três metros de altura a por 16 de largura. Uma janela para o mundo”.


Uma embalagem bonita para um escasso conteúdo. A tentativa do Grupo Globo de compensar a baixíssima qualidade de seu jornalismo. Não será um vidro de 15 metros que devolverá a credibilidade perdida às Organizações Globo. Ela foi estilhaçada pela politicagem rasteira que o Grupo realiza há 92 anos.


É brutal a asfixia ao contraditório, ao debate de ideias e propostas perpetrado pela empresa, vide a cobertura da PEC do Teto de Gastos, a defesa aguerrida das reformas trabalhistas. É criminosa a perseguição promovida contra desafetos da emissora, bem como sua atuação política, interferindo diretamente nos rumos do país, vide os episódios que antecederam e sucederam o golpe – os dois, aliás.


E o que dizer da seletividade de suas pautas? O silêncio diante de questões de extrema importância, como o genocídio da população jovem, negra e pobre nas periferias, assassinada pela Polícia Militar, em vários estados do país. Como isso não é pauta na principal emissora brasileira?


O Brasil e o mundo passam longe do janelão da família Marinho.


Prova disso foi o discurso do presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho que falou sobre “futuro”, “compromisso da emissora com o país” e, pasmem, “jornalismo independente”. Mandatário de uma organização que faz política diuturnamente, ele disse ser “significativo que, no auge de um período crítico da vida nacional”, o Grupo Globo esteja “inaugurando um moderno estúdio de jornalismo”.


Muito significativo, aliás, dado o protagonismo das Organizações Globo no afastamento de uma presidenta democraticamente eleita do poder, sem crime de responsabilidade.



Roberto Irineu mencionou também os 92 anos da emissora salientando que ela pretende continuar “sendo uma empresa familiar que olha para o longo prazo” e que “investe hoje para construir o futuro onde queremos viver”.


Queremos? Uma tarde assistindo à Globonews nos permite compreender de que futuro se trata: aquele desenhado pela agenda da austeridade. O futuro de um país garroteado pelo estado mínimo, onde a criminalização da política é lei e a destruição da imagem de partidos, lideranças e movimentos de esquerda, uma prática corrente.


Um futuro, diga-se de passagem, recusado quatro vezes nas urnas pela maioria da população brasileira. Daí o terceiro turno forjado pelas Organizações Globo, com seu candidato o senador afastado Aécio Neves, incensado como a saída para o país; as manifestações pró-impeachment convocadas explicitamente pela emissora; o golpe de 31 de Agosto, cujas consequências recaem sobre o povo brasileiro, via crise institucional, política e econômica que se prolonga.


Nada disso, obviamente, foi mencionado pelo presidente da maior empresa de comunicação do país. Na pele de CEO, Roberto Irineu esqueceu de mencionar o desemprego acirrado pela turbulência política, preferiu citar os 19 mil empregos diretos e os 15.800 indiretos criados pela empresa da sua família.


Tampouco falou das denúncias de sonegação fiscal, mais de R$ 600 milhões devidos aos cofres públicos decorrentes da compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Preferiu mencionar o pagamento de R$ 14,5 bilhões em impostos nos últimos cinco anos, “com muito orgulho”, destacou.


E afirmou ainda: “só com uma empresa que permanece e se sustenta conseguimos produzir jornalismo independente”, como se as Organizações Globo não recebessem financiamento das estatais, não se fizessem política, nem defendessem os interesses corporativos e financeiros que defendem descaradamente nos seus noticiários.



Nesta semana aliás a Globosat assinou um acordo com a Vice Media, maior companhia de mídia e produção de conteúdo para o público jovem do mundo, ela inclusive tem como sócia a Disney, para criar uma joint-venture. Pelo acordo, em torno de US$ 450 milhões, a Globo terá participação minoritária na Vice Brasil.



Com público alvo de jovens entre 18 e 34 anos, a joint-venture irá oferecer entretenimento com foco em comportamento pela Globosat que conta com 33 canais e mais de 18 milhões de telespectadores diários.


Um discurso vazio em meio a um cenário megalomaníaco, a síntese do jornalismo Globo que não teria consequência alguma, não fosse o imenso poder que detém, graças à concessão pública, das quais as Organizações Globo abusam, sem qualquer regulação ou controle do poder público.



Concentrada nas mãos de meia dúzia de famílias, a comunicação no Brasil segue engessada ante qualquer possibilidade de concorrência. E o mais grave: o discurso hegemônico impera impedindo à população de ter acesso a vários pontos de vistas e opiniões; engessando múltiplas pautas; impedindo ao Brasil, diverso e múltiplo que somos se reconhecer naquilo que é veiculado na TV, nas rádios e jornais.



Daí o esforço da Mídia Alternativa em assegurar o mínimo de contraditório à narrativa autoritária e hegemônica que comanda a pauta nacional. E sem financiamento, diga-se de passagem, já que uma das primeiras medidas de Michel Temer, assim que entrou no governo foi promover a asfixia econômica de sites e blogs progressistas e independentes no Brasil.



O ônus da ausência de uma efetiva Lei de Mídia – uma das principais reivindicações da Mídia Alternativa ao longo dos últimos anos – é a própria democracia e a quebra da ordem constitucional que vivemos.



Aliás, os graves problemas desta concentração e seus danos à democracia são tema de um estudo recente e imperdível divulgado pela UNESCO, sob o título “Concentração da Propriedade de Mídia e Liberdade de Expressão: Padrões e Implicações Globais para as Américas”.


Com base no direito internacional, o documento aponta quais ações precisam ser promovidas para se regular o mercado de mídia, destacando cinco ameaças à democracia resultantes da concentração da mídia. São eles:



"1. Influência excessiva dos proprietários de meios ou de seus anunciantes sobre os responsáveis políticos e os poderes públicos, e manipulação encoberta das decisões políticas para favorecer interesses econômicos ocultos;



2. Concentração da propriedade dos meios comerciais e sua possível influência sobre a esfera política, seja a concentração da propriedade nas mãos dos governantes, de todos os meios de comunicação de um país nas mãos de um único proprietário, ou (situação especialmente perigosa nos países pequenos) de todos os meios de comunicação nas mãos de proprietários estrangeiros;



3. Efeito nefasto da concentração dos meios de comunicação e da evolução dos modelos econômicos sobre a qualidade do jornalismo (de investigação e de outros tipos), traduzido na diminuição da margem de liberdade editorial, degradação das condições de trabalho e precarização do trabalho dos jornalistas;



4. Falta de transparência sobre a propriedade dos meios e as fontes de financiamento;



5. Potenciais conflitos de interesses que resultam na proximidade entre os jornalistas e os interesses econômicos.”


Como você pode notar, tratam-se de riscos de primeira grandeza, sobretudo em um Brasil dominado por “mini-Berlusconis”, conforme cunhou The Economist, ao avaliar a oligarquia das empresas familiares de comunicação que mandam e desmandam no Brasil.

No caso da Globo, há 92 anos.


Até quando?



sexta-feira, 23 de junho de 2017

FASCISMO E CAIXINHAS PRETAS



Dei mais uma olhada fazendo uma cara de quem procura algo...


O barulho era estranho, diria até, silencioso, no entanto eu via que eram muitas as engrenagens que estavam sendo movidas.


Uma correia, ou parecia ser uma correia, me fez lembrar das bicicletas, e do terror que quando criança, quando ela simplesmente desenganchava fazendo que todo o mecanismo trancasse.


Algumas peças redondas, outras cilíndricas. Cores vivas.


Uma caixa preta simpática, pequena, parecia sorrir da minha confusão.


Nunca entendi nada de motor de carro. Nunca quis entender e nem tive a curiosidade necessária para quem quer aprender.


E agora estava eu ali, olhando aquela maravilha da tecnologia... enquanto dois “profissionais do ramo” aguardavam meu parecer.


Cilindros, turbo, e muitos outros conceitos passavam pelos meus ouvidos sem significar nada.


- Então, professor, não é uma maravilha esse motor? Só falta falar, disse um deles, o proprietário do carro recém-comprado.


- Bobagem, disse o outro, motor comum, nem se compara ao do carro alemão, motor turbo... não acha professor?


Não achava nada, não entendo nada. Só sei que a caixinha era simpática e parecia sorrir mais eles não iriam entender essa minha opinião.


Porém, queriam um veredito... e agora?


Foi então que resolvi contra-atacar. Afinal, conhecimento se combate com conhecimento, ou vice-versa.


Me ergui e olhando os dois amigos coxinhas, perguntei: o que vocês acham do neoliberalismo? Da mais valia? Stalinismo ou Trotskismo? A reforma agrária é uma questão técnica ou ideológica?


Diante da surpresa e dos olhos arregalados, conclui: a gente deve ser humilde e reconhecer aquilo que não entendemos, aceitar nossas limitações e procurar estudar melhor o assunto.


Não sei qual o melhor motor, da mesma forma que a maioria dos direitistas não sabem o que é comunismo, dizem que o PT é comunista, pensam que reforma agrária é redistribuir terra, direitos humanos só ajudam bandidos e que Hitler era comuna.


Caracterizar como ignorante uma opinião (no sentido de desconhecer o assunto) não implica em desqualificar o debatedor, mas de qualificar o debate.


A diferença é que, o fascismo que aflora nesse tipo de “ignorância intelectualizada” ofende-se quando questionado por argumentos e, ao contrário de caixinhas pretas que parecem sorrir, definitivamente, não é nada simpático.


Claro, eu poderia pedir um tempo e perguntar a opinião do mecânico da frente da minha casa, mas isso, seria como terceirizar a minha própria opinião, como fazem os que defendem o que diz a mídia, sem reflexão, e isso, não seria honesto, seria mentira.



Prof. Péricles

quarta-feira, 21 de junho de 2017

OS DEZ MANDAMENTOS DA DELAÇÃO PREMIADA



Por Alexandre Moraes da Rosa



Perguntaram-me como explicar brevemente o regime da colaboração/delação premiada no Brasil sem precisar ler muita coisa, no estilo 10 mandamentos. Aceitei o convite.


Abaixo, segue o que explico no Guia do Processo Penal conforme a Teoria dos Jogos, de maneira esquemática. Aviso que as alusões devem ser lidas com certa dose de cinismo. Significam perspectiva metafórica do que pode se passar, e não necessariamente com o que concordo.


Metaforizei a partir de um indivíduo que joga sujo e quer maximizar seus êxitos a qualquer preço, sem levar em consideração aspectos éticos e morais. Não estou falando, necessariamente, de você, leitor.


Seguem os mandamentos:



1. Ama (e salva) a ti mesmo sobre todas as coisas e pessoas.

2. Não torna seu nome em delator em vão, porque deve valer a pena a recompensa.

3. Guarda gravações, documentos e prints de pessoas que podem ser delatadas no futuro.

4. Delata pai e mãe, se necessário for.

5. Não delata muito antes de o comprador precisar da informação.

6. Não delata alguém que pode te delatar, salvo se conseguir destruir tua credibilidade antecipadamente.

7. Não rouba informação alheia nem reputações, salvo se necessário.

8. Não levanta falso testemunho, salvo se puder criar falsos indícios ou provas, e então o faça parecer crível.

9. Não deseja o julgador do próximo só porque ele é mais “garantista”.

10. Não cobiça as delações alheias (somente porque os outros jogaram melhor).


Alguns podem ficar magoados com o modo em que sugeri os mandamentos, mas pode ser que você esteja enfrentando alguém que pensa justamente assim.


Não admiro nem faço loas a quem joga sujo. Apenas descrevo um comportamento possível de um jogo de compra e venda de informações que se instalou no Brasil.


Se você não concordar, melhor. Talvez esteja errado. Que assim seja…

sábado, 17 de junho de 2017

CANALHAS ESTÚPIDOS DEVIAM SER FUZILADOS


Eles posaram de paladinos defensores da moralidade contra a corrupção.


Mídia cúmplice, holofotes atentos para divulgar cada acusação, cada palavra de efeito, cada caras e bocas.


A energúmena classe média ululava pedindo o impeachment da presidente e cadeia para o ex-presidente;


Eram os patriotas, os heróis, os corretos.


Agora estamos assistindo a um formidável espetáculo de máscaras caídas.


Nem foi preciso dar tempo, tamanha precariedade moral dos paladinos.


Depois que uma avalanche de hipocrisia acabou com um mandato presidencial legitimamente eleito, o povo brasileiro, estarrecido (povo brasileiro adora ficar estarrecido) assiste um show de lavagem de roupa suja, e as mais sujas são justamente togas, ternos e gravatas.


Como sempre, os mais moralistas são os mais corrompidos.


Senadores pegos falando em roubar dinheiro, aos milhões, como garotos falam em roubar bolinha de gude deslumbram o Grande Espetáculo da Terra brasilis. Terra triste de parcelas egoístas e preconceituosas, de risos debochados de canalhas.


Enquanto isso, a crise financeira que era administrável vai se avolumando e lembrando os piores tempos de passado recente.


Vamos vendendo riquezas a preço de banana e privatizando tudo que é possível, sempre em favor dos empresários e contra os interesses público.


Até direitos adquiridos depois de muito sangue e muita luta, como aposentadoria, estão ameaçados


Cai a máscara, caí dezenas, centenas de máscaras, e, infelizmente parece que cai o Brasil inteiro junto, s´po não caia a arrogância da cara dos estúpidos que apoiaram tudo isso, sem ser da elite.


Depois de alguns anos combatendo a miséria e criando programas sociais de profundidade o país volta aos tempos mais mesquinhos em que os poderosos coronéis fatiavam o Brasil para vende-lo em benefício próprio.


O povo? O povo que se dane!


Sempre fomos contra a pena de morte. Mas, devo confessar que não derramaria uma só lágrima vendo essa gente, de todas as áreas, num muro de fuzilamento.

Acusação? Alta traição nacional e Crime de lesa história e lesa povo com crueldade.




Prof. Péricles

quinta-feira, 15 de junho de 2017

A JUSTIÇA E SEUS PENICOS


Por Joan Edesson de Oliveira


Clodoveu Arruda foi um advogado cearense, de Sobral, Secretário do Interior e Justiça e Secretário da Fazenda no governo de Faustino de Albuquerque, cujo mandato foi de 1947 a 1951.


Homem culto, conservador, foi destacado ator na política cearense, especialmente na zona norte do estado. Deixou um vasto anedotário, especialmente na sua área de atuação, o Direito.


Uma dessas deliciosas histórias, contada pelo ex-prefeito de Sobral Veveu Arruda, seu neto e homônimo, diz respeito à contestação de uma sentença judicial, considerada injusta por Clodoveu Arruda.


Um juiz havia condenado um seu cliente e imposto a esse uma multa. Irritado com o que considerava uma injustiça, e aproveitando que o juiz não determinara que a multa fosse obrigatoriamente paga em dinheiro, orientou o cliente a que comprasse no mercado local o mesmo valor estipulado pelo juiz em penicos. Sem papas na língua, juntou à carroça carregada com a divertida carga de penicos um bilhete de desaforado bom humor, a ser entregue ao juiz: “Para uma justiça de merda, só mesmo muito penico”.


No estranho Brasil dos últimos anos, cada vez mais parecido com os lugares do realismo mágico latino-americano, é impossível não pensar naquele bilhete ao ouvir a justiça brasileira, de norte a sul do país.


Parecemos cada vez mais propensos a permitir que a judicialização da política brasileira permita que o poder seja exercido por procuradores e juízes sem voto, substituindo a vontade popular por uma muito discutível meritocracia.


Da mais ínfima comarca até o que deveria ser um Supremo Tribunal Federal são incontáveis os casos em quem poderíamos, sem chances de erro, enviar aquele bilhete e aquela carroça.


Agora mesmo é possível acompanhar pela televisão e pela internet os edificantes debates no Tribunal Superior Eleitoral, onde um juiz manda a modéstia às favas e afirma que o outro só tem oportunidade de “brilhar na tv” por sua causa, como se os juízes fossem astros da televisão.


O outro, em tom lamuriento, reclama de uma amizade de mais de vinte anos, a não merecer aquele ataque, imaginando tudo como um compadrio, um convescote de velhos amigos.


Há juízes com páginas de apoio na internet, com seguidores que passam do milhão nas redes sociais. Ministros do que deveria ser o Supremo reclamam no exterior que a legislação trabalhista brasileira é bondosa demais para os trabalhadores. Ou, do alto do seu pensamento branco e elitista, elogiam os “negros de primeira linha”, dando a entender que os há de segunda, de terceira, de quarta linha.


São tantos, mas tantos, que haverá dificuldades para se catalogar todos os absurdos proferidos no Brasil de hoje em nome da justiça.


Da primeira à última instância há juízes abertamente partidários, que combatem um lado com jurídica ferocidade, enquanto posam sorridentes com representantes do outro lado, mesmo que sejam esses acusados e réus.


Talvez os que vierem depois de nós não acreditem que uma mulher grávida foi presa e condenada por roubar ovos de páscoa e peito de frango, e que tenha recebido uma sentença muitíssimo mais dura que homens que roubaram na casa dos milhões.


Talvez não acreditem que uma mulher, ex-ministra, foi condenada a indenizar um ator pornô que confessou um estupro, apenas porque ela disse a verdade, que o ator pornô confessou um estupro ao vivo em um programa de televisão. Talvez não acreditem que quem condenou a ex-ministra foi outra mulher.


Talvez, os que vierem depois de nós, tenham dificuldades em compreender os estranhos tempos que vivemos.


Voltando a Clodoveu Arruda, fico a imaginar que se vivo ele fosse, e advogasse em nome das duas mulheres do parágrafo anterior, teria muita dificuldade para encontrar, no mercado local, uma quantidade tão grande de penicos, à altura daquelas sentenças.











terça-feira, 13 de junho de 2017

TEMPOS ESTRANHOS


Definitivamente vivemos dias muito estranhos.

Olha só o que aconteceu com Chapeuzinho Vermelho, por exemplo.

Depois de anos vivendo na imaginação infantil, como uma heroína, foi levada coercitivamente para Curitiba a fim de prestar contas sobre denúncias chegadas por lá.

Queriam saber por que seu chapéu era vermelho. Seria uma militante comunista ou petista? Cadê a estrela ou a foice e o martelo? Seria militante do MST lá na floresta da vovó, reivindicando reforma agrária?

E quem era, na verdade, o caçador? Um agente de Moscou infiltrado para protegê-la?

Pobre chapeuzinho teve ligações com a vovó grampeadas e expostas na mídia. Tudo bem, ela não falava nada demais nas gravações, mas, nem precisava, o estrago já estava feito.

E o Zé Milita então?

Zé Milita sempre acreditou na neutralidade da justiça e nas boas intenções de todos os seus agentes. Chegou a brigar com o irmão mais velho que insinuou que no Brasil todos são mais ou menos iguais perante a Lei.

Zé Milita não admitia suspeição sobre a “dona justa” como ele chamava o sistema judiciário brasileiro.

Pois Zé Milita está acamado, e, dizem, em estado grave já que não entende porque um ex-candidato a presidente, derrotado em 2014, ainda não está preso, mesmo depois de quilômetros de gravações onde ele debocha de tudo e de todos e demonstra estar envolvido em negociatas e uma fome enorme por dinheiro, público ou privado.

Maldoso, o irmão ainda mandou uma carta perguntando a Zé Milita onde estaria encarcerado o dito cujo.

Tempos estranhos onde a extrema-direita da França é derrotada, porém, nada de comemorações, pois quem a derrotou é um estranho partido fundado há poucos meses e que jura não ser de direita nem de esquerda, ou seja, tão direitoso que nem se assume.

Tempos em que grande parcela da população brasileira aplaude atos de terrorismo contra contraventor que rouba bicicleta velha, desde que o contraventor seja pobre claro, pois rico pode ser tudo o que quiser, contraventor, cheirador, deputado ou senador.

Em dias que ser reacionário, homofóbico e racista não traz vergonha pra ninguém e em que juízes e réus aparecem de braços dados entre risos e afagos.

Sei não. Acho que vou pedir asilo político na floresta do Chapeuzinho.



Prof. Péricles